SALA DOS USOS SOCIAIS

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA | O chapéu de palha é a coisa mais bonita de se fazer

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA | O chapéu de palha é a coisa mais bonita de se fazer

O CHAPÉU DE PALHA É A COISA MAIS BONITA DE SE FAZER

25 de junho de 2016 | 7 de maio de 2017

No ano em que se comemora o 90º aniversário da emancipação concelhia de S. João da Madeira, o Museu da Chapelaria apresenta um conjunto de exposições dedicadas a algumas das indústrias que escreveram a história da cidade. Depois de "O que as nossas mãos fizeram", o Museu dá a conhecer a sua coleção de máquinas, matérias-primas e produtos associados à produção dos chapéus de palha.

Entre os séculos XIX e XX, S. João da Madeira viu muitos dos seus filhos emigrarem para o Brasil em busca de uma vida plena de sucessos. No seu regresso, estes ilustres homens e mulheres trouxeram a sua fortuna mas também hábitos culturais que marcaram profundamente a comunidade, nomeadamente, o uso do chapéu de palha. Na indústria assiste-se à introdução de técnicas inovadoras no fabrico dos chapéus de palha e, a nível cultural, a uma maior vulgarização do uso destes chapéus durante as estações quentes. A Empresa Industrial de Chapelaria foi uma das empresas da terra que, por volta de 1918, apostou nesta moda.

Em abril de 1929, é constituída a Aliança Manufatora de Chapéus de Palha, Lda, uma sociedade que reúne vários empresários do Porto e de S. João da Madeira e que concentra, num único edifício, toda a produção dos chapéus de palha. Em maio do ano seguinte a EICHAP transfere a sua produção de chapéus para esta sociedade mas a partir de 1932 a Aliança regista uma significativa quebra de venda, entrando em processo de extinção em 1935.

A EICHAP retoma assim a sua secção de chapéus de palha, introduzindo inovações ao nível das matérias-primas, dos modelos fabricados e, especialmente, dos chapéus infantis.

Em 1952 inicia-se no fabrico do chapéu de palha em laise.

Em 1968, deflagra um incêndio na secção da palha da EICHAP, gerando perdas substanciais que, contudo, não a impediram de alcançar bons resultados até 1978, em parte, devido à exportação para as colónias ultramarinas portuguesas.

A partir de 1979, a empresa depara-se com grandes dificuldades e ainda que na primavera e no verão se registasse um significativo aumento de trabalho na produção de chapéus de palha, a verdade é que as duas décadas seguintes irão ditar o encerramento de muitas fábricas, perdendo-se um importante setor produtivo da cidade.

 

A produção de chapéus de palha é um processo surpreendentemente fácil e rápido, mas apesar de simples, requer hábeis mãos, acostumadas a este ofício, tão pormenorizado e trabalhoso.

Os chapéus desta matéria-prima são, habitualmente, produzidos a partir um longo entrançado de palha que começa por ser cosido em “botão”, formando a base da copa. À medida que a trança vai sendo cosida em espiral é necessário ir moldando a copa e a aba na forma desejada.

Com esta exposição o Museu da Chapelaria dá a conhecer as suas coleções de chapéus, máquinas e matérias-primas associadas à produção de chapéus de palha.